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Marcos Adriano
Dizem que os povos têm suas marcas. Os franceses poupam dinheiro. Os ingleses acreditam no Times. Os espanhóis se fascinam com a morte. Os japoneses batem fotos. Os americanos adoram gravatas coloridas. Os brasileiros adiam. Deixam para amanhã o que têm de fazer hoje. Se possível, para depois de amanhã. A procrastinação tem preço.
Imobilizar-se, vale lembrar, não significa permanecer no
lugar. Como os outros avançam, o estacionado faz as vezes do poste na estrada. Fica para trás. E o problema deixado no caminho por irresponsabilidade ou imprevisão cresce, vira monstro que ameaça o presente e devora o futuro.
A reforma da Previdência serve de prova. Como cadáver insepulto, assombrou o país por duas décadas. Fernando Henrique e os governos que o sucederam propuseram mudanças nas regras da aposentadoria. O Congresso ignorou as nuvens escuras que se acumulavam no horizonte e disse não. A dívida pública saltou de 50% para 80% do PIB. O Estado quebrou. Só então os parlamentares honraram o voto de
confiança recebido nas urnas.
A tarefa será árdua. Mas inadiável. Deputados e senadores parecem conscientes do papel que desempenham no processo. E, tal como ocorreu na tramitação da mãe de todas as reformas, a sociedade espera que as lideranças do Congresso trabalhem para convencer os pares a aprovar as mudanças com urgência, sem obstruções irresponsáveis, apresentadas
tão só para marcar posição.
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